Literatura de cordel

A literatura de cordel remonta à tradição ibérica dos “romanceros”, de contar histórias em versos cantados, semelhante ao trovadores dos séculos XII a XIV, que compunham cantigas pra serem acompanhadas ao som de instrumentos.

Também chamada de “folhetos”, a literatura de cordel se desenvolveu e adquiriu características próprias no nordeste brasileiro, onde há grande riqueza de manifestações populares.

É à criação de literatura popular em versos cantados que se dá o nome de literatura de cordel, ou, simplesmente, “cordel”.

Os folhetos são impressos em papel jornal em páginas múltiplas de 4 e o número de páginas  depende do conteúdo. Há os folhetosnoticiosos” que contam fatos acontecidos, ligados, em geral, a assuntos locais como acidentes, enchentes, festas religiosas. Há também os “romances” que narram histórias inventadas de conquistas amorosas, duelos entre heróis e bandidos, bichos misteriosos.

Os folhetos de cordel costumam acompanhar seus autores em seus deslocamentos pelo nordeste em feiras, festas religiosas, praças e mercados, mas também vêm para o sul do país, São Paulo e Rio de Janeiro, destino de muitos migrantes nordestinos. Nas feiras de São Cristóvão (RJ) ou no Largo da Concórdia (SP), é comum assistir a poetas cantando fatos à moda nordestina.

Os cantadores são os que se dedicam apenas a cantar versos, próprios ou alheios. Muitos deles encaram sem temor os “desafios”,situação em que improvisam versos, como num combate, contra outro cantador. Quem escreve histórias em versos é chamado de “poeta de bancada” e não costuma ser repentista.

As ilustrações que acompanham os folhetos, feitas em xilografia, surgiram mais recentemente, como meio de chamar a atenção do comprador para o texto. Na contracapa é que se encontram as informações mais importantes como o nome do autor e seu endereço.

A expansão da literatura de cordel se deu principalmente depois de 1940, com as “folhetarias” ou “folheterias” que imprimem os versos.

Hoje, a literatura de cordel é conhecida de grande parte do país, especialmente depois que estudiosos e intelectuais passaram a divulgar e estudar essa fonte inesgotável de sabedoria popular nordestina.

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